Proteses CAD/CAM

CAD/CAM: uma visão atual

A tecnologia CAD/CAM está cada vez mais presente em laboratórios e clínicas, torna o método de produção da prótese odontológica mais precisa, rápida e eficiente.

Scanner intraoral elimina etapas da construção do modelo. Scanner intraoral elimina etapas da construção do modelo.
 

Tempos atrás, seria possível afirmar que a tecnologia CAD/CAM representava o futuro da prótese dentária. Hoje, tais sistemas já são realidade e estão presentes no dia a dia de muitos laboratórios de prótese e clínicas odontológicas especializadas no Brasil. De olho nos inúmeros benefícios proporcionados pela revolucionária tecnologia, cada vez mais profissionais estão migrando para o sistema digital.

O termo CAD/CAM é um acrônimo das palavras computer aided design e computer aided manufacturing que, em livre tradução, significam "desenho guiado por computador" e "fabricação guiada por computador". Outro termo utilizado para nomear o mesmo sistema é o CAD/CIM, no qual a segunda sigla é originária de computer integrated machining. De forma simplificada, podemos dizer que o sistema CAD pode ser dividido em procedimentos intraorais e de laboratório e é um sistema composto por um scanner, que faz a varredura das estruturas a serem copiadas, seja em boca ou em modelos de gesso, e um computador com um software que irá receber estes dados e gerar uma imagem tridimensional das estruturas escaneadas.

O software, além disso, permite que o operador do sistema - seja o cirurgião-dentista ou um técnico em prótese dentária - faça o desenho virtual dos elementos necessários a reabilitação protética, reconfigurando forma e função com extrema acuidade e precisão. A partir deste desenho guia, é possível evoluir para o desenho virtual final de coroas totais, inlays, onlays, facetas, pilares personalizados, pontes fixas, copings e infraestruturas de pontes, entre outras.

O sistema CAD também pode ser aplicado à Ortodontia, permitindo o planejamento virtual de tratamentos ortodônticos. Já o sistema CAM irá produzir, por meio de uma fresadora e da impressão digital em 3D sobre diferentes materiais, a reabilitação desejada. Pode-se optar por blocos de cerâmica feldspática, zircônia, dissilicato de lítio, titânio, cromo-cobalto e resinas para próteses temporárias, dependendo da estrutura a ser fresada e seu objetivo. Portanto, o sistema CAD/CAM interliga scanner, software e fresadora para os objetivos finais de reabilitação do paciente.

A revolução promovida pelo CAD/CAM está modificando profundamente o método de produção e os parâmetros de qualidade da prótese odontológica. O processo se tornou mais preciso, mais rápido e mais eficiente. No início da utilização do sistema CAD/CAM na Odontologia, só existiam scanners de laboratório e as fresagens eram feitas fora do País, pelos fabricantes dos sistemas. Atualmente, existem vários serviços de fresagem no Brasil, e as clínicas e laboratórios interessados podem ter os seus próprios equipamentos de fresagem, agora menores e mais acessíveis, agregando tempo e agilidade ao processo.

Dentre tantas vantagens, o CAD/CAM abriu as portas para outra grande transformação em curso: a dos materiais. Os modernos equipamentos são capazes de fazer a fresagem de materiais metálicos e não metálicos resistentes, como a zircônia, o titânio e o cromo-cobalto, o que seria inviável em um processo convencional de manufatura. Alguns materiais, que antes só podiam ser trabalhados por meio de fundição, podem agora também ser usinados, melhorando a qualidade, a precisão e a longevidade das reabilitações, além de redefinir as possibilidades estéticas na reabilitação oral e na Odontologia restauradora.

 

Experiência clínica

 

SO scanner é a porta de entrada para que as informações tridimensionais sejam
convertidas para o formato digital. A manipulação virtual do projeto da prótese,
por sua vez, proporciona novas possibilidades estéticas.
O scanner é a porta de entrada para que as informações tridimensionais sejam convertidas para o formato digital. A manipulação virtual do projeto da prótese, por sua vez, proporciona novas possibilidades estéticas.

É preciso lembrar, porém, que os computadores não trabalham sozinhos. A alta previsibilidade técnica ainda depende de uma série de variáveis que vão desde um planejamento competente até o ajuste final da prótese na boca do paciente. Todos os pequenos e grandes erros cometidos na clínica serão milimetricamente reproduzidos na estrutura que sai da fresadora. A tecnologia depende de uma perfeita operação do sistema, da capacitação e do treinamento continuado do profissional, além do acompanhamento das muitas inovações que o mercado oferece.

Como é comum a qualquer inovação disponibilizada ao mercado, a adoção e o uso desses sistemas pressupõe conhecimento, treinamento e disponibilidade para a aprendizagem de seu manuseio. Caso o clínico opte por instalar o equipamento em seu consultório, este profissional precisará conhecer a fundo o processo de funcionamento do sistema CAD/CAM e as especificidades de cada uma de suas etapas, agregando à experiência clínica o domínio da tecnologia, diferenciando-se na oferta de serviços de qualidade aos seus pacientes.

É importante destacar que o profissional poderá, ainda, optar pela terceirização dos serviços de fresagem, nos vários sistemas disponíveis no mercado brasileiro. Porém, mesmo que não vá operar diretamente o equipamento, ele precisa entender o processo em seus detalhes para explorar o que cada sistema tem de melhor a oferecer. Conhecendo bem a técnica de escaneamento, as possibilidades, as virtudes e os limites do software, o funcionamento da fresadora e as características do material que está sendo trabalhado, o cirurgião-dentista ou o técnico em prótese dentária poderão realizar um bom planejamento, tomar as decisões acertadas e otimizar os resultados

 

O sistema

 

Para estar apto a aproveitar das benesses que o sistema CAD/CAM oferece, é fundamental conhecer os recursos, os elementos e as etapas que envolvem esta tecnologia. A produção de próteses via sistema CAD/CAM acontece em quatro etapas bem definidas.

A primeira etapa compreende a moldagem das arcadas e a confecção dos modelos em gesso. Moldam-se as arcadas com silicone por adição ou poliéter e se produz os modelos que serão escaneados na segunda etapa. A moldagem deve ser feita cuidadosamente, com a técnica adequada e de

As fresadoras possibilitam a utilização de novos materiais na confecção da prótese.

acordo com as orientações dos fabricantes dos materiais, pois parte dos insucessos com CAD/CAM acontecem por falhas nesta etapa do trabalho.

 

É possível, ainda, fazer o escaneamento diretamente das arcadas em boca, sem a confecção de modelos em gesso. O escaneamento em boca depende da utilização do scanner intraoral e da boa varredura de todas as superfícies dos dentes e das estruturas adjacentes.

Na segunda etapa, os modelos de gesso são escaneados e o sistema irá gerar um modelo de trabalho virtual, ou um desenho digital de três dimensões, que servirá de referência para o desenho da prótese. Caso tenha sido feito o escaneamento direto em boca, este modelo de trabalho já terá sido gerado.

Os sistemas atuais utilizam leitores óticos que convertem os modelos reais em virtuais, ou seja, são capazes de converter qualquer objeto em informação digital 3D. Os equipamentos mais antigos, que ainda são encontrados no mercado, fazem o escaneamento por contato.

A solução mais inovadora do mercado são os scanners intraorais, que tornam desnecessária a moldagem e a confecção do modelo de trabalho. Trata-se de uma grande vantagem, não só por causa do tempo economizado, mas também pela garantia de uma imagem 3D fiel da boca do paciente, uma vez que se eliminam possíveis falhas na moldagem. Entretanto, por se tratar de uma tecnologia relativamente recente, os scanners intraorais ainda apresentam algumas limitações na confecção de próteses subgengivais, e também podem ser utilizados para escanear modelos de gesso.

A terceira etapa é a construção virtual ou o desenho da prótese através de um software específico para essa função. Caso o projeto seja de uma prótese sobreimplantes, o protesista pode optar por utilizar pilares pré-fabricados ou produzir pilares personalizados esculpidos pela fresadora, dependendo da característica do caso e do paciente.

Definido o desenho da prótese, o software ajuda a fazer os ajustes necessários para que os elementos protéticos tenham assentamento perfeito sobre o preparo ou sobre a conexão protética. Como a tecnologia oferece precisão milimétrica na construção das peças, até mesmo o espaço necessário para o material de cimentação deve ser previsto.

Na quarta etapa começa finalmente a fresagem da prótese que foi desenhada no computador. Os sistemas mais novos apresentam equipamentos bastante versáteis, com cinco eixos de posicionamento, o que garante resultados precisos e em menor tempo.

 

A fresagem com precisão milimétrica garante o assentamento perfeito sobre o preparo ou sobre a conexão protética.

Há uma grande variedade de marcas comerciais de blocos de materiais metálicos e não metálicos disponíveis no mercado brasileiro e internacional. Parte dos fabricantes de sistemas CAD/CAM, no entanto, recomenda que seus usuários utilizem apenas matérias-primas produzidas por eles mesmos, ou por seus parceiros. A explicação é de que a escolha de um material com diferentes parâmetros pode afetar a calibragem do equipamento ou levar a resultados de qualidade inferior.

 

Terminado o trabalho de fresagem, dependendo do material utilizado, existe a necessidade de levar a prótese recém-criada para um forno de cristalização (no caso da cerâmica de dissilicato) ou de sinterização (no caso da zircônia). Os dois processos garantem a resistência e a estabilidade dos materiais.

 

Sistemas abertos e fechados

 

O mercado de equipamentos CAD/CAM pode ser dividido entre os sistemas abertos e fechados. Atualmente, os fabricantes dos sistemas fechados são os líderes desse mercado, tanto aqui no Brasil como no resto do mundo. Mas, existe um crescente número de empresas de menor porte oferecendo scanners, softwares e fresadoras de forma avulsa e independente.

Ainda é cedo para saber se permanecerá essa tendência pelos sistemas fechados e vinculados, ou se essa característica do mercado perderá força nos próximos anos. Isso, provavelmente, dependerá da capacidade das empresas que produzem equipamentos independentes de oferecerem produtos compatíveis com outras marcas. Outro fator decisivo para os sistemas abertos deve ser a capacidade para acompanhar as inovações tecnológicas apresentadas pelas fabricantes dos sistemas fechados, que hoje lideram o mercado.

É importante entender também que em um mercado novo, como o de CAD/CAM, é natural que existam tantas variações de modelo de negócio. Algumas empresas operam com uma central única de usinagem para atender cada região ou país. Outras preferem levar o sistema completo para ser implantado em um laboratório ou em uma clínica.

 

Como em toda nova tecnologia de ponta, o investimento é significativo para aquisição de qualquer sistema CAD/CAM para uso próprio. Porém, se não tiver essa intenção, o profissional pode ter acesso aos sistemas disponíveis solicitando qualquer tipo de prótese aos laboratórios de prótese no Brasil que dispõem de alternativas CAD/CAM, com técnicos perfeitamente capacitados a oferecer próteses de alto nível, extraindo os melhores recursos de cada sistema.

 

Fresadoras de maior porte foram incorporadas definitivamente aos laboratórios de prótese.

O mais importante para o profissional é que ele tenha acesso às vantagens funcionais, estéticas e operacionais que essa tecnologia tem a oferecer. Os pacientes ficarão extremamente satisfeitos ao perceberem que estão sendo reabilitados com o auxílio desta moderna e inovadora tecnologia.

 

É um grande avanço para toda a Odontologia, em uma rede de benefícios que inclui cirurgiões-dentistas, técnicos em prótese dentária e pacientes. Mas, para colher os benefícios dessa novidade, o profissional deve acompanhar a evolução da técnica e de suas especificidades, conhecendo todas as alternativas disponíveis no mercado brasileiro, bem como as formas de acesso ao conhecimento e aos centros de produção.

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